sábado, 11 de agosto de 2012

Às vezes acho que estou perdendo a capacidade de analisar as coisas e expor opinião relevante sobre elas haja vista a ausência de posts há mais de um ano neste blog.
Será que emburreci?
Talvez nem tanto...
O que deve estar me faltando é mais intimidade com a Literatura, abandonada, à mercê da Linguística!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Otimismo, auto-estima?

Não sei se alguém compartilha comigo essa opinião, mas as pessoas ultimamente têm sido tomadas por um certo exagero de otimismo e fé, não? Todos os dias, vemos na TV pessoas de todos os tipos superando dificuldades das mais diversas, sobrevivendo a tragédias das mais arrasadoras e dizendo que têm fé e que sabem que vão conseguir superar... todos os dias ouvimos pessoas dizerem que não se sujeitarão mais a esta ou àquela situação porque não merecem, são muito dignas para sofrerem tal coisa... todos os dias, mulheres e homens cujos relacionamentos faliram são levados a acreditar que certamente arrumarão uma companhia melhor porque aquela que se foi não era merecedora do seu amor... Por quantas vezes ouvimos "eu sou mais eu", "se eu não me valorizar, quem vai?", "eu me amo", "primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, depois os outros"... será egoísmo? Será o bom trabalho das receitas e manuais de auto-ajuda? Será influência religiosa? Será culpa da TV? Não sei... confesso que isso tem me incomodado, mas não sei o que pensar... Será que esse é o caminho da felicidade?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem palavras...

Tento escrever uma homenagem à querida aluna que tão cedo nos deixou, mas ainda não tenho palavras diante de tamanha barbárie.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ao mestre com carinho



Domingo de manhã. Já era tarde, mas eu ainda durmia. Fazia aquele friozinho bom pra ficar na cama. Meu celular tocou, era a Neiva, minha ex-professora de Latim, minha ex-chefe de departamento na UFJF, minha amiga Neiva... em pleno domingo, a Neiva me ligando? Mário Roberto. Ai, meu Deus! Meu professor! Não atendi. Deixei o celular tocar até ela desistir... tentei dormir de novo, relutando em saber o que houvera. Ansiosa que sou, não consegui. Levantei, dei de cara com a minha mãe na porta, contei a ela que a Neiva ligara. Ela estranhou. Contei também que eu sabia o que ela ia falar... minha mãe fez aquela pra mim! Confirmando que eu podia ter razão, ela não ligaria num domingo de manhã por um motivo qualquer. Desesperei-me. Eu não queria saber daquilo. Eu não queria aquela notícia na minha vida. Eu não queria acreditar que eu não o tinha visto mais uma vez. Pra contar sobre a minha conquista na Rural e sobre a minha inclusão no projeto da Patrícia... sempre fomos seguidoras do professor, eu e a Patrícia... No entanto, não consegui fazer nada, até ligar para a Neiva para confirmar minha suspeita. E ao atender o telefone, eu me identifiquei e ela disse, com sua voz tenra e delicada, "Perdemos o Mário...". Eu sabia, respondi. Eu sabia, Neiva, senti que era isso que você queria me dizer. Ela me deu ainda algumas explicações. E comecei minha preparação para o último encontro commeu mestre. Difícil. Muito difícil. Não consegui conter o choro. Chorei muito. Fui rever fotos, relembrar momentos, frases, brincadeiras... Ah, professor! Acho que você nunca soube da sua real importância na minha vida, na minha formação... Quando cheguei ao cemitério, não contive o choro nos ombros da Neiva... ah, que saudade vou sentir. Estive lá até o final. Rezei pelo bom católico professor. Presenciei discursos fúnebres como nunca vira. Emocionei-me com tudo que falaram. E até deste momento de despedida, o professor conseguiu impressionar-me quando o padre revelou a todos que por conta de um problema oftalmológico, o mestre já não lia pequenas letras como as da Bíblia, mas continuava fazendo leituras na igreja porque decorava os textos.
Professoor! Lembro-me da tua voz! Da tua imagem na última vez que te vi. Das histórias infinitas que tinhas. Do teu sorriso ao me entregar o diploma e do discurso em que nos tratou por "Vós". Lembro-me das gargalhadas. De você nos dizendo: "Habemos papam" quando Bento XVI foi eleito. Das broncas coletivas depois das provas de Português II. Lembro-me da tua cara de felicidade e espanto quando fizemos serenata no seu prédio para convidá-lo a ser nosso paraninfo. E nesses tempos de Copa do mundo, de suas histórias de futebol, sobre o Fluminense ou sobre a rivalidade com a Argentina... Meu professor querido! Ninguém foi capaz de perceber meu verdadeiro e puro amor por você... talvez nem você mesmo. Mas isso não o diminui. Descanse em paz!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Primeiro beijo? Não tive!

Normalmente consideramos muitíssimo especial o momento do nosso primeiro beijo. Principalmente se ele tiver sido muito esperado como o meu, que só aconteceu aos 14 anos! Mas, hoje, ao me lembrar da data, quis esquecer da cena. Foi ridículo! Um lugar manjado, um Justificarescurinho num banco da Beira-Rio; um horário péssimo, entrada noturna na escola, aquele horário em que todo mundo estava passando no ônibus voltando do trabalho ou indo pra escola; uma roupa horrorosa (fico me perguntando como eu tinha coragem de usar aquelas calças com a boca apertadinha e as pernas largas, as famosas calças bags ou semi-bags!!! e ainda combinar com camisa de malha tipo masculina!); uma música de novela (What's going on?) e um carinha... feio e sem noção!
Tudo bem, sei que nesse momento devo estar recebendo críticas do tipo "Cruzes! Ela vai falar mal do cara?!". Vou. Vou, sim! Vou mesmo! Ele merece! Na época era um cara legal, com quem estive um bom tempo! Mas, ele nunca me perdoou por tê-lo deixado! E anos depois acabou fazendo intrigas com meu nome e me deixando numa situação constrangedora na Web por conta de ofensas de sua atual mulher que pensava que eu (Imaginem!!!) tantos anos depois, ainda o procurava! Eu nem sabia onde ele morava, se era gordo ou magro, careca ou barbudo! Ele inventava histórias com meu nome pra ela, como se eu morresse de amores por ele. E era exatamente o contrário, ele é que de vez em quando aparecia... um email, uma mensagem no orkut falso, uma vista inesperada... é, ele veio até a minha casa! Pena que foi antes de eu descobrir tudo, porque se eu soubesse do que ele andava falando pra mulher dele, eu o teria escurraçado da minha casa. Ridículo! Um homem velho desses bancando o garotão! Crente que estava abafando! Fez papel de otário porque quando a esposa dele me mandou um email ofensivo, eu contei tudo a ela e fiz questão de desdenhar! "Tem pelo menos 14 anos que não me interesso pelo seu marido, desde que EU terminei com ele e nunca mais quis voltar!".
Depois de me ouvir, ela morreu de vergonha e se desculpou. Afinal de contas eu tenho o meu amor, tenho meu namorado e prezo muito meu relacionamento. Cheguei a dizer a ela que se ele inventasse mais alguma história que me constrangesse, eu entraria com um processo contra ele por calúnia e difamação e danos morais por ter sido xingada na Web. Sim! Ela me acusou e me ofendeu! E não foi a primeira. Antes disso, teve uma amante dele que resolveu fazer gracinha comigo e ele fingia não conhecer. Contei tudo à mulher dele! Inclusive o nome que a amante usava!
Tempos depois, ela me adicionou no orkut, cheio de fotos do casal. Parece que se entenderam! Bom pra eles! Eu só espero que ele nunca mais tente coisa parecida senão ganhará um processo. E que nunca mais apareça na minha frente! Afinal, assim que eu terminar este texto, apagarei de vez o episódio da minha memória... primeiro beijo? Não tive... comecei no segundo namorado!
A gente passa por cada uma!

Vícios comuns - é preciso muito humor para aguentar!

Somos bombardeados o tempo todo por vícios de linguagem vindos de todos os lados, mas, certamente, ninguém comete mais vícios por segundo que os atendentes de telemarketing... Entretanto, infelizmente, algumas outras profissões, inclusive ligadas à educação, estão reproduzindo esses vícios com mais frequência do que imaginamos ou somos capazes de perceber. E o pior é que essas pessoas, diferentemente dos atendentes de telemarketing - que não estão preocupados com isso - , acreditam que falar assim é sinal de "status", sentem-se cultos ao reproduzir essa linguagem viciosa, e acabam disseminando usos entre as pessoas que os têm como exemplo...

O vídeo reproduzido acima é parte de um episódio da série O sistema, da TV Globo.

Fiquemos atentos para não sermos vítimas desse engano!

O novo assusta

Este texto surgiu de uma proposta de leitura comparativa entre os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa e o livro Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão construídos a partir da valorização de todas as variedades linguísticas da Língua Portuguesa, combatendo o preconceito linguístico com toda força. Assim, em muitas passagens, nota-se a reafirmação de uma identidade pessoal e social através da valorização das linguagens características de grupos sociais.
Segundo os PCN, deve-se “reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social como instrumento adequado e eficiente na comunicação cotidiana”, porque “em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades lingüísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais”, o que implica no fato de não existir uma variedade linguística superior às outras. Qualquer que seja o “jeito de falar”, ele é adequado a pelo menos uma situação, aquela em que é falado cotidianamente.
Sendo assim, os PCN deixam claro que “falar apropriadamente à situação” não é “falar segundo às regras de ‘bem dizer e escrever’ ”, aceitando perfeitamente as construções típicas da fala e seu grau de informalidade. Não é necessário “consertar” a fala, é preciso apropriá-la às diversas situações exigidas. Esse é o papel do professor de Língua Portuguesa, ensinar os usos possíveis do Português aos seus falantes, que já sabem a língua, explicitando as diferenças existentes entre variedade escrita e falada, formal e informal.
O Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno, traz o mesmo princípio de valorização de todos os níveis linguísticos do Português, encarando as variedades como aceitáveis em contextos diversos, visto que asseguram o objetivo comunicacional.
Bagno, assim como os PCN, combate o uso da Gramática Normativa para “consertar” a fala das pessoas e diz que deve existir, sim, um manual para estudo da língua, mas que explicite as regras verdadeiramente usadas no cotidiano do brasileiro, sem a pretensão de ditar o modo como o se deve falar e escrever bem.
Em meio a críticas a gramáticos tradicionalistas, Bagno cita os Parâmetros Curriculares como sendo um planejamento adequado à educação no Brasil, por reconhecer a diversidade e combater o preconceito linguístico, e desmistifica jargões como “Português é muito difícil” ou “brasileiro não sabe Português”, ou ainda, “pessoas sem instrução falam tudo errado”. Dessa forma, Marcos Bagno se aproxima dos PCN, porque deixa claro que todo falante nativo sabe a língua e que não existem variedades linguísticas melhores ou piores, mas diferentes.
Tanto os Parâmetros Curriculares quanto o livro de Bagno servem de alerta aos professores de Português, e devem fazê-los enxergar que o modelo de ensino o qual, infelizmente, prevalece no Brasil não é adequado. No entanto, apesar de serem boas as ideias trazidas por Bagno e os PCN, parecem-nos ainda radicais e vagas. A teoria é até bem construída, mas não sugere uma prática que se possa aceitar imediatamente. Seria romper com tudo que aprendemos? Será mesmo que nada se aproveita do modelo tradicional? Todos os que foram formados a partir desse modelo são ineficientes?
A teoria é muito interessante e motivadora, mas, parece faltar praticidade. Bagno e os PCN sugerem uma nova e interessante visão do ensino de Língua Portuguesa, mas não chegam a apresentar propostas de como inserir essas mudanças numa sociedade tão “mal acostumada”, numa sociedade que ainda não vê essas “novas técnicas” de ensino com bons olhos (Apesar disso ser citado por Bagno como algo que contribui para a perpetuação do ciclo vicioso do preconceito linguístico.). Espera-se, então, que se possa desenvolver, brevemente, práticas pedagógicas para mediar o tradicionalismo e a modernidade no ensino de Português, para que, ao final do ano letivo, não se escute um aluno questionar: “Mas a professora não deu aula de Português, ficou dando textos e mandando a gente escrever o ano todo. E a crase? E as orações, regência, concordância, aquelas coisas?”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O eterno macho irracional

É impressionante a capacidade que as pessoas têm de se apaixonar... já perdi a conta das vezes em que me encontrei envolvida em tal situação. Não que eu tenha tido muitos amores, não vão pensar mal de mim, mas já tive alguns, fui alvo de outros e acompanhei muitos... e quantos... Sabem como é mulher, em qualquer idade, está sempre metida em casos amorosos, quando não os seus, os dos outros. A vida toda. Parece que nunca passa.
Os sentimentos são loucos. Ou nós todos somos. Tenho pensado que sentimentos são apenas burrice, quando não se convive bem ou quando não se vive bem sozinho se projeta em outra pessoa tudo o que se gostaria de ter para si. Não o que gostaria de ser. Mas o que se gostaria de possuir. Aí já começam os problemas! A possessividade que permeia os “sentimentos” entre os sexos é um de nossos maiores vilões. E praticamente é o essencial. Não sei se existe qualquer “sentimento” sem o mínimo de possessividade. E não digo apenas que é “você é meu”, ou “quem sabe o que é bom pra você sou eu, eu é que conheço essa raça (pode ser homem ou mulher)”.
Acho, sinceramente, que os demais prováveis problemas de uma relação tornam-se pequenos diante a possessividade. Ou mais que isso, são todos contidos nela ou continentes dela. O ciúme é possessividade pura. O egoísmo, ou egocentrismo, também pode ser demonstração de poder, se você pensa só em si, o outro deve viver em sua função, deve ser SEU servo.
Todos lutamos contra isso, apesar de sermos todos um pouco assim. E o que será que acontece se isso não está presente num relacionamento? Quase ninguém passa por isso na vida. Mesmo com toda a modernidade, que quebra os padrões até dos casos de amor, nos surpreendemos se nos deparamos com liberdade demais.
Imagina o que aconteceria com um rapaz de família tradicional que descobrisse, de repente, que a moça pela qual ele tem alimentado um grande sentimento há tempos – mas sem muitas esperanças – está interessada nele e disposta a fazer tudo para que eles fiquem juntos. O normal seria esse cara ficar feliz da vida e se entregar a esse amor finalmente correspondido, esquecendo as possíveis dificuldades que lhes aguardam. Mas, e se ela não for exatamente uma moça “normal”? E se ela for independente, livre, decidida e disposta a viver um relacionamento amoroso aberto, construído à base de diálogo, com cada um expondo suas emoções e questionando as do outro o tempo todo? E se ela não se importar com padrões, com nenhum deles, financeiros, etários ou hierárquicos? E se ela quiser sempre impressioná-lo, comprando presentes, pagando os jantares, ou simplesmente, fazendo convites – dos mais simples aos mais ousados?
Pode ser que esse protótipo – seja da idade que for – de eterno macho machista não compreenda a posição moderna e não-possessiva que sua anteriormente quase mulher-ideal tomou, a de futura mulher moderna-livre-compreensiva, que paga contas, que faz convites, que ousa dizer a ele na praia “Olha aquela garota ali, tem um corpaço, hein!”.
Complexo? Não, muito simples: os homens não evoluem, gostam de ser eternos homens das cavernas, toscos e irracionais, mas dominadores, daqueles que arrastam as mulheres pelos cabelos e o único som que as ouve produzir são pequenas manifestações de dor – quando puxadas pelos cabelos – ou de prazer, que dispensa comentários. E, aliás, estes são os únicos com os quais eles realmente se importam.
28 de Maio de 2004

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tem que doer?

Saber o que se sente é ter noção do que se é, descobrir-se humano.
[E fraco.
Amor só é bom se doer, já dizia Vinícius...
[por isso, o amor impulsiona, mas desnorteia...
Uma paixão de verdade transforma a vida, os valores, o futuro...
[a paixão descabela...
Leva o indivíduo mais apagado a ser o mais brilhante,
[faz do mais tímido o melhor amante.
O amor faz transbordar o coração da vontade de doar-se
[sem pedir nada em troca, porque basta-se.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me dá um tempo!

Oi. Espero que dentro do possível, esteja tudo em ordem. Preciso admitir que para mim as coisas não andam muito bem. Nem sei por que te escrevo, acho que já não há o que você fazer para me ajudar. Talvez se você tentasse me compreender, talvez se você conseguisse enxergar meus motivos, minhas dores e o porquê da minha pressa... é angustiante demais não saber onde chegar, não saber onde se está indo dá uma sensação horrível de insegurança. Por isso, brigamos tanto, você e eu. Quando quero ir devagar, você corre... e quando estou mais ansiosa, você se arrasta. Não consigo tomar as decisões que preciso, você me atropela. Não consigo fazer minhas escolhas, você as exibe para mim num piscar de olhos, a cada minuto, me traz uma novidade, nem sempre agradável...
Precisamos acertar nossos ponteiros, queria que você me desse um prazo para colocar a cabeça no lugar, não me apresse e não retarde meu caminhar... me acompanhe! Me deixe aproveitar cada segundo, sem ter que renascer todo dia...
Me dá um tempo, Tempo, eu preciso viver!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Memória

Hoje pensei em criar um poema, estava subitamente inspirada... mas depois percebi que Drummond já havia escrito o que eu queria escrever... lindamente!

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 19 de julho de 2009

Nostalgia

Quero fugir de casa,
Falar sozinha,
Ter treze anos,
Rir de mim mesma,
Brigar coma prima,
Tio Cacá e seus mimos,
Quero camisa do Flu.

Quero aula todo dia,
Estudar pro teste,
Trabalho em grupo,
Meninos do básico,
OSPB, Moral e Cívica,
Hino na chegada,
Handball, ping-pong, teatro,
Quero prova do Senai.

Quero pedir que voltem
Legião Urbana, 93,
Barrados no Baile,
Ayrton Senna,
Quero Tande e Gigio.

Quero missa domingo,
Às 10, catecismo,
Quero crer que namoro.
Mas agora você,
Anos depois.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Canção do exilado em Minas

Minha terra tem pessoas
Onde cantam emoções.
O lindo sol que brilha aqui
Não aquece como lá.

Peregrinar todo dia
Sugere a eleição:
“Não existe lugar mais quente!”

Além do verão, mais três.
Diversão, proximidade e paixão.
Como se fosse o mínimo aceito: três.
Verões, desejos, águas...

Três Rios...

Na cidade dos calores é que eu sou em casa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ao Michael com carinho


O Michael Jackson morreu. Dããã, isso todo mundo já sabe. E foi tudo muito repentino e grandioso, até o velório que estão preparando para amanhã... há tantos mistérios e especulações que, a mim, fica a impressão de que o Michael vai ressuscitar no meio do funeral, executar seu moon walker e nada passará de um grande espetáculo. Quem dera! Infelizmente, lá no fundo sei que isso não é possível.

Mas, por mais estranho que isso possa parecer, o que mais tem me intrigado nisso tudo é o meu sentimento com relação ao Michael. Recebi a notícia pelo celular assim que foi confirmada pea primeira emissora de TV, e como todos transformei a informação em assustada pergunta: o Michael Jackson morreu??? E, após a confirmação, descobri que eu não sabia o que sentir a não ser supresa com a notícia, ele parecia imortal, talvez por conta de Neverland... Me assustei ao saber que eu parecia não me comover com a morte do Rei do Pop. E comecei então a pensar sobre Michael. O que eu sabia sobre ele? Do que eu gostava? Quem era Michael Jackson pra mim? Um menino negro que ficou branco e afinou o nariz, dançava como ninguém, foi acusado de pedofilia e era muito extravagante.

As notícias acerca da morte do cantor, não, cantor não, do astro, e as informações sobre sua vida e obra me traziam recordações que eu já perdera... e, por isso, nem sabia que as tinha. Passei uma semana concentrada em tudo que dissesse algo sobre Michael. Um dos acontecimentos que me fez começar a ter noção do que eu sentia por ele foi uma discussão travada com amigos, dias após a notícia da morte, sobre sua popularidade comparada com a da Madonna. Tenho certeza que, apesar de toda popularidade de Madonna, Michael era (e é) mais querido, há mais pessoas no mundo que admiram Michael porque ele é mais simples, porque ele é mais simpático, porque ele tem uma tragetória mais árdua e, ao mesmo tempo, brilhante, porque nem as histórias de pedofilia mancharam o sentimento que lhe era devotado.

Meu irmão, roqueiro convicto, passou a escutar as músicas do Michael todos os dias à tarde... gostei disso, eu não lembrava que aquelas músicas todas eram dele e que eu gostava de todas... aliás, um dos primeiros comentários que fiz sobre Michael após saber de sua morte foi que dentre todos os grandes sucessos do maior ídolo pop, eu parecia gostar mais da música Ben, do pequeno menino negro recém-saído dos Jackson Five... E adoro mesmo essa música! Mas não só essa, gosto de muitas outras, grandes sucessos que marcaram época no mundo e na minha vida...

Fiquei muito frustrada ao decobrir que Thriller era o disco mais vendido no mundo, que todas as músicas que o integravam eram maravilhosas e que eu nunca o tinha escutado, nunca tinha escutado qualquer música do Michael num ato voluntário: Agora vou ouvir Michael Jackson! Quem sou eu que nunca ouço Michael Jackson? Meu Deus, me senti completamente alienada.

Comecei a ver os clips que pipocavam em programas de TV... eu adorava todos e não sabia!!! Michael era mesmo um gênio da música e eu o ignorava!

Mas o que mais me comoveu foi ver as pessoas se referirem a Michael como a mais humana que conheceram, o melhor homem, o homem de grande coração, o atencioso Michael... comecei a prestar atenção às entrevistas reprisadas pela TV... e percebi que ali estava o que mais me encantava em Michael Jackson: o Peter Pan que vivia nele. Michael era uma criança que viu seu corpo crescer, tentou "consertar" o que lhe incomodava porque tinha medo de ser apontado como o feio, o esquisito, e que percebeu, como poucos, como é bom viver cercado por crianças e dar a elas todo carinho que há... porque retribuem da forma mais generosa, com a felicidade pura e espontânea.

Quando vi o Michael falando de sua infância, das surras do pai, das atitudes dos irmãos e afirmando diante de uma câmera que ele era mesmo o Peter Pan fui tomada por um comoção inédita na minha via, um misto de admiração e pena, finalmente a compreensão de tudo aquilo que era Michael Joseph Jackson... eu então começava a ter noção do meu sentimento....

Fique em paz, Michael e desculpe por precisar de sua morte para saber que você era realmente admirável, não apenas como o astro do pop, mas como o menino Michael. Mesmo aos 50 anos.

Michael Jackson is unbelievable!

domingo, 14 de junho de 2009

Que saudade!

Alguns anos já se passaram desde a minha Primeira Comunhão... lembrei-me disso poque hoje fui à missa de Primeia Comunhão de um afilhado (Estou envelhecendo mesmo!) e tentei me lembrar de como foi a minha... e quase nada me veio à memória, se considerarmos a importância do evento na vida da criança.
Conversando com uma amiga que se sentou ao meu lado, lembramos de nossas roupas da Primeira Comunhão... horrorosaaaas! Muito ruins mesmo! Seria muito mais interessante se fossem como as de hoje, uma espécie de batina branca, com direito a coroinha de flores, para as meninas, claro.
Olhando as crianças vestidinhas de branco sentadas lá na frente, lembrou-me o mal que passei pela demora da celebração, era verão, igreja lotada, a celebração já passava de duas horas e minha pressão baixa resolveu dar sinal... achei que ia desmaiar, mas consegui me segurar, graças à minha madrinha que trouxe um copo d'água.
Lembrei-me também do padre que celebrou, quer dizer, no meu caso, era um Frei, muito querido pela comunidade e que não vejo há anos... lembrando do Frei, me veio a confissão. Ele nos mandou escrever os pecados num pedaço de papel, imaginem isso! Eu, sentada num dos bancos, tímida que era aos dez anos de idade, achava aquilo ótimo, assim era mais fácil encarar o representante divino...
Mas a minha lembrança mais forte é do dia do ensaio da comunhão, dia em que as catequistas (da minha catequista não me lembro!) tentam "treinar" as crianças para que sejam comportadas, sigam os rituais da Santa Missa com exatidão e não as deixem envergonhadas diante da comunidade. A minha lembrança não é das músicas, dos ritos, e muito menos dos meus colegas (não me lembro de nenhum deles! Meu Deus que memória é essa??), mas de uma cena que nunca mais me esqueceu... eu sentada num dos bancos da Igreja, batendo os pés no chão de ansiosa que já era naquela época, resolvo olhar para trás... lá estava meu tio querido qu fora acompanhar o ensaio, meu tio Cacá, presença constante em cada momento da minha infância, talvez meu companheiro mais fiel, um dos meus amores mais fortes... e que papai do céu levou embora no ano seguinte!
Que saudade do meu tio!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sugestão de leitura

Sugiro que leiam A quinta história da Clarice Lispector, postado abaixo, antes de lerem a minha, visto que pretendi dar continuidade, ainda que muito humildemente,
ao texto da grande autora.

A (minha) quinta história


A quinta história chama-se “Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia”. Começa assim: queixei-me de baratas. E segue até o exato instante em que, vendo os monumentos de gesso, tenho certeza de que estão mortas. Porém, ao mesmo tempo, lembro-me de que estarão vivas nos canos da renovação, seguindo, em fila-indiana para novamente cumprir a saga. Assim, eu deveria mesmo renovar, ritualmente, aquele açúcar letal, todas as noites. E não conseguiria dormir enquanto não o fizesse. E mais que isso, estaria viciada em verificar a matança. Estremeci. Mas não de pensar no que primeiro me veio: que eu viveria, então, vida dupla, eu-mesma e eu-feiticeira, e sim de pensar que não há nada mais natural. Isso é o amor. Não, pensei, eu não estou louca. O amor é assim mesmo, duplo. Ambíguo. Alegórico, a melhor palavra. É por amor que ritualizamos as coisas: rezamos todas as noites por amor a Deus; por amor, passamos cremes e mais cremes antes de dormir. Senão por outra pessoa, por nós mesmos. É por amor que fazemos de nossas vidas dias cheios de ritos. De prece, de beleza, de sabedoria, de prazer... não importa de quê.

No entanto, como diria Leibnitz, a essência dos corpos não consiste na extensão, mas na força. Não eram importantes as baratas que transformei em estátuas, mas a força que me motivou o homicídio e que me faria me sentir melhor. E, pensando nelas, quem sabe não existe céu para as baratas? Aquelas, certamente, é para lá que vão, foram assassinadas fria e brutalmente, sem chance de defesa. Entretanto, não sou assassina, apenas alguém que ama mais a si mesma que às baratas. O ato sugere um assassinato, mas é uma forma de amor. A mim. E, otimistas, ainda como o filósofo, tudo vai da melhor forma no melhor dos mundos possíveis: no paraíso das baratinhas brutalmente assassinadas, elas descansam em paz, e eu, aqui em casa mesmo, apesar do rito, me alivio sem a presença delas.

Matar e amar. Matar por amor. Matar o amor?! Sim, penso, estou ficando louca. Matar alegoricamente. Filosoficamente amar. Era apenas uma forma de me livrar de baratas, sugestão de uma tal senhora que ouviu-me queixar, mas já estou quase resolvendo a questão da transcendência do amor na Polinésia...
Daniela Samira da Cruz Barros

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A quinta história - Clarice Lispector

Esta história poderia chamar-se “As Estátuas”. Outro nome possível é “O Assassinato”. E também “Como Matar Baratas”. Farei então pelo menos três histórias, verdadeiras porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem.

A primeira, “Como Matar Baratas”, começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de-dentro delas. Assim fiz. Morreram.

A outra história é a primeira mesmo e chama-se “O Assassinato”. Começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me. Segue-se a receita. E então entra o assassinato. A verdade é que só em abstrato me havia queixado de baratas, que nem minhas eram: pertenciam ao andar térreo e escalavam os canos do edifício até o nosso lar. Só na hora de preparar a mistura é que elas se tornaram minhas também. Em nosso nome, então, comecei a medir e pesar ingredientes numa concentração um pouco mais intensa. Um vago rancor me tomara, um senso de ultraje. De dia as baratas eram invisíveis e ninguém acreditaria no mal secreto que roía casa tão tranqüila.
Mas se elas, como os males secretos, dormiam de dia, ali estava eu a preparar-lhes o veneno da noite. Meticulosa, ardente, eu aviava o elixir da longa morte. Um medo excitado e meu próprio mal secreto me guiavam. Agora eu só queria gelidamente uma coisa: matar cada barata que existe. Baratas sobem pelos canos enquanto a gente, cansada, sonha. E eis que a receita estava pronta, tão branca. Como para baratas espertas como eu, espalhei habilmente o pó até que este mais parecia fazer parte da natureza. De minha cama, no silêncio do apartamento, eu as imaginava subindo uma a uma até a área de serviço onde o escuro dormia, só uma toalha alerta no varal. Acordei horas depois em sobressalto de atraso. Já era de madrugada. Atravessei a cozinha. No chão da área lá estavam elas, duras, grandes. Durante a noite eu matara. Em nosso nome, amanhecia. No morro um galo cantou.
A terceira história que ora se inicia é a das “Estátuas”. Começa dizendo que eu me queixara de baratas. Depois vem a mesma senhora. Vai indo até o ponto em que, de madrugada, acordo e ainda sonolenta atravesso a cozinha. Mais sonolenta que eu está a área na sua perspectiva de ladrilhos. E na escuridão da aurora,um arroxeado que distancia tudo, distingo a meus pés sombras e brancuras: dezenas de estátuas se espalham rígidas. As baratas que haviam endurecido de dentro para fora. Algumas de barriga para cima. Outras no meio de um gesto que não se completaria jamais. Na boca de umas um pouco da comida branca. Sou a primeira testemunha do alvorecer em Pompéia. Sei como foi esta última noite, sei da orgia no escuro. Em algumas o gesso terá endurecido tão lentamente como num processo vital, e elas, com movimentos cada vez mais penosos, terão sofregamente intensificado as alegrias da noite, tentando fugir de dentro de si mesmas. Até que de pedra se tornam, em espanto de inocência, e com tal, tal olhar de censura magoada. Outras — subitamente assaltadas pelo próprio âmago, sem nem sequer ter tido a intuição de um molde interno que se petrificava! — essas de súbito se cristalizam, assim como a palavra é cortada da boca: eu te... Elas que, usando o nome de amor em vão, na noite de verão cantavam. Enquanto aquela ali, a de antena marrom suja de branco, terá adivinhado tarde demais que se mumificara exatamente por não ter sabido usar as coisas com a graça gratuita do em vão: “é que olhei demais para dentro de mim! é que olhei demais para dentro de...” — de minha fria altura de gente olho a derrocada de um mundo. Amanhece. Uma ou outra antena de barata morta freme seca à brisa. Da história anterior canta o galo.
A quarta narrativa inaugura nova era no lar. Começa como se sabe: queixei-me de baratas. Vai até o momento em que vejo os monumentos de gesso. Mortas, sim. Mas olho para os canos, por onde esta mesma noite renovar-se-á uma população lenta e viva em fila indiana. Eu iria então renovar todas as noites o açúcar letal? - como quem já não dorme sem a avidez de um rito. E todas as madrugadas me conduziria sonâmbula até o pavilhão? - no vício de ir ao encontro das estátuas que minha noite suada erguia. Estremeci de mau prazer à visão daquela vida dupla de feiticeira. E estremeci também ao aviso do gesso que seca: o vício de viver que rebentaria meu molde interno. Áspero instante de escolha entre dois caminhos que, pensava eu, se dizem “adeus”, e certa de que qualquer escolha seria a do sacrifício: eu ou minha alma. Escolhi. E hoje ostento secretamente no coração uma placa de virtude: “Esta casa foi dedetizada”.
A quinta história chama-se “Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia”. Começa assim: queixei-me de baratas...

Ode à simplescidade

A noite enegrece o rio
E faz do fim da cidade,
Cujo próprio nome não comporta,
Uma inacreditável paisagem:
A estrada, o viaduto...
As obscuras águas do Paraibuna.

domingo, 17 de maio de 2009

Acróstico melancólico

Diante de tantas possibilidades na véspera
O dia parece incrível... descanso, TV, almoços, livros...
Mas com o amanhecer, o passar das horas
Incrivelmente veloz... tudo se perde no ócio
Nada é suficiente para preencher o vazio
Gastamos o tempo e não nos satisfazemos
O dia acabou. Começa tudo de novo amanhã!
"Não, meu coração não é maior que o mundo, é muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores, por isso gosto tanto de me contar!" (CDA)