Saber o que se sente é ter noção do que se é, descobrir-se humano.
[E fraco.
Amor só é bom se doer, já dizia Vinícius...
[por isso, o amor impulsiona, mas desnorteia...
Uma paixão de verdade transforma a vida, os valores, o futuro...
[a paixão descabela...
Leva o indivíduo mais apagado a ser o mais brilhante,
[faz do mais tímido o melhor amante.
O amor faz transbordar o coração da vontade de doar-se
[sem pedir nada em troca, porque basta-se.
Não, meu coração não é maior que o mundo, é muito menor... nele não cabem nem as minhas dores, por isso, gosto tanto de me contar... (CDA)
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Me dá um tempo!
Oi. Espero que dentro do possível, esteja tudo em ordem. Preciso admitir que para mim as coisas não andam muito bem. Nem sei por que te escrevo, acho que já não há o que você fazer para me ajudar. Talvez se você tentasse me compreender, talvez se você conseguisse enxergar meus motivos, minhas dores e o porquê da minha pressa... é angustiante demais não saber onde chegar, não saber onde se está indo dá uma sensação horrível de insegurança. Por isso, brigamos tanto, você e eu. Quando quero ir devagar, você corre... e quando estou mais ansiosa, você se arrasta. Não consigo tomar as decisões que preciso, você me atropela. Não consigo fazer minhas escolhas, você as exibe para mim num piscar de olhos, a cada minuto, me traz uma novidade, nem sempre agradável...
Precisamos acertar nossos ponteiros, queria que você me desse um prazo para colocar a cabeça no lugar, não me apresse e não retarde meu caminhar... me acompanhe! Me deixe aproveitar cada segundo, sem ter que renascer todo dia...
Me dá um tempo, Tempo, eu preciso viver!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Memória
Hoje pensei em criar um poema, estava subitamente inspirada... mas depois percebi que Drummond já havia escrito o que eu queria escrever... lindamente!
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 19 de julho de 2009
Nostalgia
Quero fugir de casa,
Falar sozinha,
Ter treze anos,
Rir de mim mesma,
Brigar coma prima,
Tio Cacá e seus mimos,
Quero camisa do Flu.
Quero aula todo dia,
Estudar pro teste,
Trabalho em grupo,
Meninos do básico,
OSPB, Moral e Cívica,
Hino na chegada,
Handball, ping-pong, teatro,
Quero prova do Senai.
Quero pedir que voltem
Legião Urbana, 93,
Barrados no Baile,
Ayrton Senna,
Quero Tande e Gigio.
Quero missa domingo,
Às 10, catecismo,
Quero crer que namoro.
Mas agora você,
Anos depois.
Falar sozinha,
Ter treze anos,
Rir de mim mesma,
Brigar coma prima,
Tio Cacá e seus mimos,
Quero camisa do Flu.
Quero aula todo dia,
Estudar pro teste,
Trabalho em grupo,
Meninos do básico,
OSPB, Moral e Cívica,
Hino na chegada,
Handball, ping-pong, teatro,
Quero prova do Senai.
Quero pedir que voltem
Legião Urbana, 93,
Barrados no Baile,
Ayrton Senna,
Quero Tande e Gigio.
Quero missa domingo,
Às 10, catecismo,
Quero crer que namoro.
Mas agora você,
Anos depois.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Canção do exilado em Minas
Minha terra tem pessoas
Onde cantam emoções.
O lindo sol que brilha aqui
Não aquece como lá.
Peregrinar todo dia
Sugere a eleição:
“Não existe lugar mais quente!”
Além do verão, mais três.
Diversão, proximidade e paixão.
Como se fosse o mínimo aceito: três.
Verões, desejos, águas...
Três Rios...
Na cidade dos calores é que eu sou em casa.
Onde cantam emoções.
O lindo sol que brilha aqui
Não aquece como lá.
Peregrinar todo dia
Sugere a eleição:
“Não existe lugar mais quente!”
Além do verão, mais três.
Diversão, proximidade e paixão.
Como se fosse o mínimo aceito: três.
Verões, desejos, águas...
Três Rios...
Na cidade dos calores é que eu sou em casa.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Ao Michael com carinho

O Michael Jackson morreu. Dããã, isso todo mundo já sabe. E foi tudo muito repentino e grandioso, até o velório que estão preparando para amanhã... há tantos mistérios e especulações que, a mim, fica a impressão de que o Michael vai ressuscitar no meio do funeral, executar seu moon walker e nada passará de um grande espetáculo. Quem dera! Infelizmente, lá no fundo sei que isso não é possível.
Mas, por mais estranho que isso possa parecer, o que mais tem me intrigado nisso tudo é o meu sentimento com relação ao Michael. Recebi a notícia pelo celular assim que foi confirmada pea primeira emissora de TV, e como todos transformei a informação em assustada pergunta: o Michael Jackson morreu??? E, após a confirmação, descobri que eu não sabia o que sentir a não ser supresa com a notícia, ele parecia imortal, talvez por conta de Neverland... Me assustei ao saber que eu parecia não me comover com a morte do Rei do Pop. E comecei então a pensar sobre Michael. O que eu sabia sobre ele? Do que eu gostava? Quem era Michael Jackson pra mim? Um menino negro que ficou branco e afinou o nariz, dançava como ninguém, foi acusado de pedofilia e era muito extravagante.
As notícias acerca da morte do cantor, não, cantor não, do astro, e as informações sobre sua vida e obra me traziam recordações que eu já perdera... e, por isso, nem sabia que as tinha. Passei uma semana concentrada em tudo que dissesse algo sobre Michael. Um dos acontecimentos que me fez começar a ter noção do que eu sentia por ele foi uma discussão travada com amigos, dias após a notícia da morte, sobre sua popularidade comparada com a da Madonna. Tenho certeza que, apesar de toda popularidade de Madonna, Michael era (e é) mais querido, há mais pessoas no mundo que admiram Michael porque ele é mais simples, porque ele é mais simpático, porque ele tem uma tragetória mais árdua e, ao mesmo tempo, brilhante, porque nem as histórias de pedofilia mancharam o sentimento que lhe era devotado.
Meu irmão, roqueiro convicto, passou a escutar as músicas do Michael todos os dias à tarde... gostei disso, eu não lembrava que aquelas músicas todas eram dele e que eu gostava de todas... aliás, um dos primeiros comentários que fiz sobre Michael após saber de sua morte foi que dentre todos os grandes sucessos do maior ídolo pop, eu parecia gostar mais da música Ben, do pequeno menino negro recém-saído dos Jackson Five... E adoro mesmo essa música! Mas não só essa, gosto de muitas outras, grandes sucessos que marcaram época no mundo e na minha vida...
Fiquei muito frustrada ao decobrir que Thriller era o disco mais vendido no mundo, que todas as músicas que o integravam eram maravilhosas e que eu nunca o tinha escutado, nunca tinha escutado qualquer música do Michael num ato voluntário: Agora vou ouvir Michael Jackson! Quem sou eu que nunca ouço Michael Jackson? Meu Deus, me senti completamente alienada.
Comecei a ver os clips que pipocavam em programas de TV... eu adorava todos e não sabia!!! Michael era mesmo um gênio da música e eu o ignorava!
Mas o que mais me comoveu foi ver as pessoas se referirem a Michael como a mais humana que conheceram, o melhor homem, o homem de grande coração, o atencioso Michael... comecei a prestar atenção às entrevistas reprisadas pela TV... e percebi que ali estava o que mais me encantava em Michael Jackson: o Peter Pan que vivia nele. Michael era uma criança que viu seu corpo crescer, tentou "consertar" o que lhe incomodava porque tinha medo de ser apontado como o feio, o esquisito, e que percebeu, como poucos, como é bom viver cercado por crianças e dar a elas todo carinho que há... porque retribuem da forma mais generosa, com a felicidade pura e espontânea.
Quando vi o Michael falando de sua infância, das surras do pai, das atitudes dos irmãos e afirmando diante de uma câmera que ele era mesmo o Peter Pan fui tomada por um comoção inédita na minha via, um misto de admiração e pena, finalmente a compreensão de tudo aquilo que era Michael Joseph Jackson... eu então começava a ter noção do meu sentimento....
Fique em paz, Michael e desculpe por precisar de sua morte para saber que você era realmente admirável, não apenas como o astro do pop, mas como o menino Michael. Mesmo aos 50 anos.
Michael Jackson is unbelievable!
domingo, 14 de junho de 2009
Que saudade!
Alguns anos já se passaram desde a minha Primeira Comunhão... lembrei-me disso poque hoje fui à missa de Primeia Comunhão de um afilhado (Estou envelhecendo mesmo!) e tentei me lembrar de como foi a minha... e quase nada me veio à memória, se considerarmos a importância do evento na vida da criança.
Conversando com uma amiga que se sentou ao meu lado, lembramos de nossas roupas da Primeira Comunhão... horrorosaaaas! Muito ruins mesmo! Seria muito mais interessante se fossem como as de hoje, uma espécie de batina branca, com direito a coroinha de flores, para as meninas, claro.
Olhando as crianças vestidinhas de branco sentadas lá na frente, lembrou-me o mal que passei pela demora da celebração, era verão, igreja lotada, a celebração já passava de duas horas e minha pressão baixa resolveu dar sinal... achei que ia desmaiar, mas consegui me segurar, graças à minha madrinha que trouxe um copo d'água.
Lembrei-me também do padre que celebrou, quer dizer, no meu caso, era um Frei, muito querido pela comunidade e que não vejo há anos... lembrando do Frei, me veio a confissão. Ele nos mandou escrever os pecados num pedaço de papel, imaginem isso! Eu, sentada num dos bancos, tímida que era aos dez anos de idade, achava aquilo ótimo, assim era mais fácil encarar o representante divino...
Mas a minha lembrança mais forte é do dia do ensaio da comunhão, dia em que as catequistas (da minha catequista não me lembro!) tentam "treinar" as crianças para que sejam comportadas, sigam os rituais da Santa Missa com exatidão e não as deixem envergonhadas diante da comunidade. A minha lembrança não é das músicas, dos ritos, e muito menos dos meus colegas (não me lembro de nenhum deles! Meu Deus que memória é essa??), mas de uma cena que nunca mais me esqueceu... eu sentada num dos bancos da Igreja, batendo os pés no chão de ansiosa que já era naquela época, resolvo olhar para trás... lá estava meu tio querido qu fora acompanhar o ensaio, meu tio Cacá, presença constante em cada momento da minha infância, talvez meu companheiro mais fiel, um dos meus amores mais fortes... e que papai do céu levou embora no ano seguinte!
Que saudade do meu tio!
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"Não, meu coração não é maior que o mundo, é muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores, por isso gosto tanto de me contar!" (CDA)