domingo, 27 de fevereiro de 2011

Otimismo, auto-estima?

Não sei se alguém compartilha comigo essa opinião, mas as pessoas ultimamente têm sido tomadas por um certo exagero de otimismo e fé, não? Todos os dias, vemos na TV pessoas de todos os tipos superando dificuldades das mais diversas, sobrevivendo a tragédias das mais arrasadoras e dizendo que têm fé e que sabem que vão conseguir superar... todos os dias ouvimos pessoas dizerem que não se sujeitarão mais a esta ou àquela situação porque não merecem, são muito dignas para sofrerem tal coisa... todos os dias, mulheres e homens cujos relacionamentos faliram são levados a acreditar que certamente arrumarão uma companhia melhor porque aquela que se foi não era merecedora do seu amor... Por quantas vezes ouvimos "eu sou mais eu", "se eu não me valorizar, quem vai?", "eu me amo", "primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, depois os outros"... será egoísmo? Será o bom trabalho das receitas e manuais de auto-ajuda? Será influência religiosa? Será culpa da TV? Não sei... confesso que isso tem me incomodado, mas não sei o que pensar... Será que esse é o caminho da felicidade?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem palavras...

Tento escrever uma homenagem à querida aluna que tão cedo nos deixou, mas ainda não tenho palavras diante de tamanha barbárie.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ao mestre com carinho



Domingo de manhã. Já era tarde, mas eu ainda durmia. Fazia aquele friozinho bom pra ficar na cama. Meu celular tocou, era a Neiva, minha ex-professora de Latim, minha ex-chefe de departamento na UFJF, minha amiga Neiva... em pleno domingo, a Neiva me ligando? Mário Roberto. Ai, meu Deus! Meu professor! Não atendi. Deixei o celular tocar até ela desistir... tentei dormir de novo, relutando em saber o que houvera. Ansiosa que sou, não consegui. Levantei, dei de cara com a minha mãe na porta, contei a ela que a Neiva ligara. Ela estranhou. Contei também que eu sabia o que ela ia falar... minha mãe fez aquela pra mim! Confirmando que eu podia ter razão, ela não ligaria num domingo de manhã por um motivo qualquer. Desesperei-me. Eu não queria saber daquilo. Eu não queria aquela notícia na minha vida. Eu não queria acreditar que eu não o tinha visto mais uma vez. Pra contar sobre a minha conquista na Rural e sobre a minha inclusão no projeto da Patrícia... sempre fomos seguidoras do professor, eu e a Patrícia... No entanto, não consegui fazer nada, até ligar para a Neiva para confirmar minha suspeita. E ao atender o telefone, eu me identifiquei e ela disse, com sua voz tenra e delicada, "Perdemos o Mário...". Eu sabia, respondi. Eu sabia, Neiva, senti que era isso que você queria me dizer. Ela me deu ainda algumas explicações. E comecei minha preparação para o último encontro commeu mestre. Difícil. Muito difícil. Não consegui conter o choro. Chorei muito. Fui rever fotos, relembrar momentos, frases, brincadeiras... Ah, professor! Acho que você nunca soube da sua real importância na minha vida, na minha formação... Quando cheguei ao cemitério, não contive o choro nos ombros da Neiva... ah, que saudade vou sentir. Estive lá até o final. Rezei pelo bom católico professor. Presenciei discursos fúnebres como nunca vira. Emocionei-me com tudo que falaram. E até deste momento de despedida, o professor conseguiu impressionar-me quando o padre revelou a todos que por conta de um problema oftalmológico, o mestre já não lia pequenas letras como as da Bíblia, mas continuava fazendo leituras na igreja porque decorava os textos.
Professoor! Lembro-me da tua voz! Da tua imagem na última vez que te vi. Das histórias infinitas que tinhas. Do teu sorriso ao me entregar o diploma e do discurso em que nos tratou por "Vós". Lembro-me das gargalhadas. De você nos dizendo: "Habemos papam" quando Bento XVI foi eleito. Das broncas coletivas depois das provas de Português II. Lembro-me da tua cara de felicidade e espanto quando fizemos serenata no seu prédio para convidá-lo a ser nosso paraninfo. E nesses tempos de Copa do mundo, de suas histórias de futebol, sobre o Fluminense ou sobre a rivalidade com a Argentina... Meu professor querido! Ninguém foi capaz de perceber meu verdadeiro e puro amor por você... talvez nem você mesmo. Mas isso não o diminui. Descanse em paz!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Primeiro beijo? Não tive!

Normalmente consideramos muitíssimo especial o momento do nosso primeiro beijo. Principalmente se ele tiver sido muito esperado como o meu, que só aconteceu aos 14 anos! Mas, hoje, ao me lembrar da data, quis esquecer da cena. Foi ridículo! Um lugar manjado, um Justificarescurinho num banco da Beira-Rio; um horário péssimo, entrada noturna na escola, aquele horário em que todo mundo estava passando no ônibus voltando do trabalho ou indo pra escola; uma roupa horrorosa (fico me perguntando como eu tinha coragem de usar aquelas calças com a boca apertadinha e as pernas largas, as famosas calças bags ou semi-bags!!! e ainda combinar com camisa de malha tipo masculina!); uma música de novela (What's going on?) e um carinha... feio e sem noção!
Tudo bem, sei que nesse momento devo estar recebendo críticas do tipo "Cruzes! Ela vai falar mal do cara?!". Vou. Vou, sim! Vou mesmo! Ele merece! Na época era um cara legal, com quem estive um bom tempo! Mas, ele nunca me perdoou por tê-lo deixado! E anos depois acabou fazendo intrigas com meu nome e me deixando numa situação constrangedora na Web por conta de ofensas de sua atual mulher que pensava que eu (Imaginem!!!) tantos anos depois, ainda o procurava! Eu nem sabia onde ele morava, se era gordo ou magro, careca ou barbudo! Ele inventava histórias com meu nome pra ela, como se eu morresse de amores por ele. E era exatamente o contrário, ele é que de vez em quando aparecia... um email, uma mensagem no orkut falso, uma vista inesperada... é, ele veio até a minha casa! Pena que foi antes de eu descobrir tudo, porque se eu soubesse do que ele andava falando pra mulher dele, eu o teria escurraçado da minha casa. Ridículo! Um homem velho desses bancando o garotão! Crente que estava abafando! Fez papel de otário porque quando a esposa dele me mandou um email ofensivo, eu contei tudo a ela e fiz questão de desdenhar! "Tem pelo menos 14 anos que não me interesso pelo seu marido, desde que EU terminei com ele e nunca mais quis voltar!".
Depois de me ouvir, ela morreu de vergonha e se desculpou. Afinal de contas eu tenho o meu amor, tenho meu namorado e prezo muito meu relacionamento. Cheguei a dizer a ela que se ele inventasse mais alguma história que me constrangesse, eu entraria com um processo contra ele por calúnia e difamação e danos morais por ter sido xingada na Web. Sim! Ela me acusou e me ofendeu! E não foi a primeira. Antes disso, teve uma amante dele que resolveu fazer gracinha comigo e ele fingia não conhecer. Contei tudo à mulher dele! Inclusive o nome que a amante usava!
Tempos depois, ela me adicionou no orkut, cheio de fotos do casal. Parece que se entenderam! Bom pra eles! Eu só espero que ele nunca mais tente coisa parecida senão ganhará um processo. E que nunca mais apareça na minha frente! Afinal, assim que eu terminar este texto, apagarei de vez o episódio da minha memória... primeiro beijo? Não tive... comecei no segundo namorado!
A gente passa por cada uma!

Vícios comuns - é preciso muito humor para aguentar!

Somos bombardeados o tempo todo por vícios de linguagem vindos de todos os lados, mas, certamente, ninguém comete mais vícios por segundo que os atendentes de telemarketing... Entretanto, infelizmente, algumas outras profissões, inclusive ligadas à educação, estão reproduzindo esses vícios com mais frequência do que imaginamos ou somos capazes de perceber. E o pior é que essas pessoas, diferentemente dos atendentes de telemarketing - que não estão preocupados com isso - , acreditam que falar assim é sinal de "status", sentem-se cultos ao reproduzir essa linguagem viciosa, e acabam disseminando usos entre as pessoas que os têm como exemplo...

O vídeo reproduzido acima é parte de um episódio da série O sistema, da TV Globo.

Fiquemos atentos para não sermos vítimas desse engano!

O novo assusta

Este texto surgiu de uma proposta de leitura comparativa entre os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa e o livro Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão construídos a partir da valorização de todas as variedades linguísticas da Língua Portuguesa, combatendo o preconceito linguístico com toda força. Assim, em muitas passagens, nota-se a reafirmação de uma identidade pessoal e social através da valorização das linguagens características de grupos sociais.
Segundo os PCN, deve-se “reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social como instrumento adequado e eficiente na comunicação cotidiana”, porque “em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades lingüísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais”, o que implica no fato de não existir uma variedade linguística superior às outras. Qualquer que seja o “jeito de falar”, ele é adequado a pelo menos uma situação, aquela em que é falado cotidianamente.
Sendo assim, os PCN deixam claro que “falar apropriadamente à situação” não é “falar segundo às regras de ‘bem dizer e escrever’ ”, aceitando perfeitamente as construções típicas da fala e seu grau de informalidade. Não é necessário “consertar” a fala, é preciso apropriá-la às diversas situações exigidas. Esse é o papel do professor de Língua Portuguesa, ensinar os usos possíveis do Português aos seus falantes, que já sabem a língua, explicitando as diferenças existentes entre variedade escrita e falada, formal e informal.
O Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno, traz o mesmo princípio de valorização de todos os níveis linguísticos do Português, encarando as variedades como aceitáveis em contextos diversos, visto que asseguram o objetivo comunicacional.
Bagno, assim como os PCN, combate o uso da Gramática Normativa para “consertar” a fala das pessoas e diz que deve existir, sim, um manual para estudo da língua, mas que explicite as regras verdadeiramente usadas no cotidiano do brasileiro, sem a pretensão de ditar o modo como o se deve falar e escrever bem.
Em meio a críticas a gramáticos tradicionalistas, Bagno cita os Parâmetros Curriculares como sendo um planejamento adequado à educação no Brasil, por reconhecer a diversidade e combater o preconceito linguístico, e desmistifica jargões como “Português é muito difícil” ou “brasileiro não sabe Português”, ou ainda, “pessoas sem instrução falam tudo errado”. Dessa forma, Marcos Bagno se aproxima dos PCN, porque deixa claro que todo falante nativo sabe a língua e que não existem variedades linguísticas melhores ou piores, mas diferentes.
Tanto os Parâmetros Curriculares quanto o livro de Bagno servem de alerta aos professores de Português, e devem fazê-los enxergar que o modelo de ensino o qual, infelizmente, prevalece no Brasil não é adequado. No entanto, apesar de serem boas as ideias trazidas por Bagno e os PCN, parecem-nos ainda radicais e vagas. A teoria é até bem construída, mas não sugere uma prática que se possa aceitar imediatamente. Seria romper com tudo que aprendemos? Será mesmo que nada se aproveita do modelo tradicional? Todos os que foram formados a partir desse modelo são ineficientes?
A teoria é muito interessante e motivadora, mas, parece faltar praticidade. Bagno e os PCN sugerem uma nova e interessante visão do ensino de Língua Portuguesa, mas não chegam a apresentar propostas de como inserir essas mudanças numa sociedade tão “mal acostumada”, numa sociedade que ainda não vê essas “novas técnicas” de ensino com bons olhos (Apesar disso ser citado por Bagno como algo que contribui para a perpetuação do ciclo vicioso do preconceito linguístico.). Espera-se, então, que se possa desenvolver, brevemente, práticas pedagógicas para mediar o tradicionalismo e a modernidade no ensino de Português, para que, ao final do ano letivo, não se escute um aluno questionar: “Mas a professora não deu aula de Português, ficou dando textos e mandando a gente escrever o ano todo. E a crase? E as orações, regência, concordância, aquelas coisas?”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O eterno macho irracional

É impressionante a capacidade que as pessoas têm de se apaixonar... já perdi a conta das vezes em que me encontrei envolvida em tal situação. Não que eu tenha tido muitos amores, não vão pensar mal de mim, mas já tive alguns, fui alvo de outros e acompanhei muitos... e quantos... Sabem como é mulher, em qualquer idade, está sempre metida em casos amorosos, quando não os seus, os dos outros. A vida toda. Parece que nunca passa.
Os sentimentos são loucos. Ou nós todos somos. Tenho pensado que sentimentos são apenas burrice, quando não se convive bem ou quando não se vive bem sozinho se projeta em outra pessoa tudo o que se gostaria de ter para si. Não o que gostaria de ser. Mas o que se gostaria de possuir. Aí já começam os problemas! A possessividade que permeia os “sentimentos” entre os sexos é um de nossos maiores vilões. E praticamente é o essencial. Não sei se existe qualquer “sentimento” sem o mínimo de possessividade. E não digo apenas que é “você é meu”, ou “quem sabe o que é bom pra você sou eu, eu é que conheço essa raça (pode ser homem ou mulher)”.
Acho, sinceramente, que os demais prováveis problemas de uma relação tornam-se pequenos diante a possessividade. Ou mais que isso, são todos contidos nela ou continentes dela. O ciúme é possessividade pura. O egoísmo, ou egocentrismo, também pode ser demonstração de poder, se você pensa só em si, o outro deve viver em sua função, deve ser SEU servo.
Todos lutamos contra isso, apesar de sermos todos um pouco assim. E o que será que acontece se isso não está presente num relacionamento? Quase ninguém passa por isso na vida. Mesmo com toda a modernidade, que quebra os padrões até dos casos de amor, nos surpreendemos se nos deparamos com liberdade demais.
Imagina o que aconteceria com um rapaz de família tradicional que descobrisse, de repente, que a moça pela qual ele tem alimentado um grande sentimento há tempos – mas sem muitas esperanças – está interessada nele e disposta a fazer tudo para que eles fiquem juntos. O normal seria esse cara ficar feliz da vida e se entregar a esse amor finalmente correspondido, esquecendo as possíveis dificuldades que lhes aguardam. Mas, e se ela não for exatamente uma moça “normal”? E se ela for independente, livre, decidida e disposta a viver um relacionamento amoroso aberto, construído à base de diálogo, com cada um expondo suas emoções e questionando as do outro o tempo todo? E se ela não se importar com padrões, com nenhum deles, financeiros, etários ou hierárquicos? E se ela quiser sempre impressioná-lo, comprando presentes, pagando os jantares, ou simplesmente, fazendo convites – dos mais simples aos mais ousados?
Pode ser que esse protótipo – seja da idade que for – de eterno macho machista não compreenda a posição moderna e não-possessiva que sua anteriormente quase mulher-ideal tomou, a de futura mulher moderna-livre-compreensiva, que paga contas, que faz convites, que ousa dizer a ele na praia “Olha aquela garota ali, tem um corpaço, hein!”.
Complexo? Não, muito simples: os homens não evoluem, gostam de ser eternos homens das cavernas, toscos e irracionais, mas dominadores, daqueles que arrastam as mulheres pelos cabelos e o único som que as ouve produzir são pequenas manifestações de dor – quando puxadas pelos cabelos – ou de prazer, que dispensa comentários. E, aliás, estes são os únicos com os quais eles realmente se importam.
28 de Maio de 2004
"Não, meu coração não é maior que o mundo, é muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores, por isso gosto tanto de me contar!" (CDA)